Meu Parto Humanizado

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Não poderia ficar guardado só para mim tudo isso…

Após 2 anos e 10 meses de um parto, que resultou em cesárea por falta de planejamento ao qual entrei no ciclo medo-tensão-dor, resolvi então PLANEJAR o meu parto.

Há dias já dizia: Thiago, eu não posso morrer sem passar por isso. Eu preciso dessa experiência.

Naquela manhã, eu estava muito mais indisposta que nos outros dias. O quadril doía ainda mais, quase não conseguia me mexer. Senti uma dor que me lembrou à uma contração.
Ao acordar, deitei um pouco com a Aninha.  Queria curtir minha bebê mais velha, afinal eu não sabia que tempo eu teria para ela depois do nascimento da irmã.

Quando Thiago acordou, partilhei com ele de toda a indisposição e o avisei que talvez estivesse chegando a hora, pois eu estava sentindo mais dores que o habitual.

Eu sentia que era o dia, então mesmo com todas as dores nas costas, fui ao supermercado fazer o estoque da dispensa, resolvi algumas coisas urgentes que ainda estavam pendentes. Almocei fora e curti cada minuto. Chegando em casa, parei o carro na garagem, liguei uma música, e dormi ali no banco por cerca de 1hs. Foi um descanso revigorante.

Em casa liguei alto o som, do jeito que amo, com músicas que diziam tudo aquilo que queria dizer à minha bebê e passei cerca de 3 horas ali. Chorando, cantando, acariciando a barriga, amando… amando e amando. Ela estava chegando. Meu coração dizia que era o dia. Eu tinha ainda muita coisa a dizer à ela, talvez nem eu ainda me desse conta do quanto a amava.

No decorrer do dia tive algumas leves contrações em intervalos distantes e irregulares.

No horário habitual, papai e Aninha foram dormir e foi então que minha Linda e Inesquecível jornada começou.

Apaguei as luzes da casa toda deixando apenas uma leve penumbra. Liguei músicas de relaxamento que já haviam sido separadas para o parto. E naquele suave ambiente, fui lavar a louça do jantar, lavar roupas e preparar o Ninho para a chegada do meu filhote.
Talvez um gatilho emocional, do ambiente quieto, escuro e isolado, onde eu me sentia pertencente apenas à ela e ela à mim, fez com que o trabalho de parto ficasse mais ativo, pois à partir daí, as contrações começaram a vir mais frequentes e mais doloridas.

Meu Deus, eu curtia cada uma delas. Me fazia forte, me dava prazer de participar daquele momento.

Às 23hs avisei a Doula Débora Regina Magalhães Diniz, que minhas contrações estavam com intervalo de 10 em 10 minutos, medidas num aplicativo no celular, porém a dor ainda era suportável.

Entrei no chuveiro e fiquei lá por um longo período.
Com o banheiro escuro, ao som das músicas, sentei num banquinho e cantei para ela. Disse para Deus, que embora eu tivesse algumas dúvidas acerca da sua existência, eu precisava agradecê-lo por aquela experiência. Eu estava MUITO Feliz. Eu precisava dizer à ele que era maravilhoso a forma como tudo estava dando tão certo e eu estava experimentando aquele momento tão profundo comigo mesma e com minha Bebê que se preparava para vir ao mundo.

Um momento transcendental. Eu precisava agradecê-lo porque aquilo tudo era Divino.

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Minhas contrações alcançaram um intervalo de 3 em 3 minutos e foi às 3hs da manhã, que mandei uma mensagem à doula: Débora, estou ficando com medo das dores. E ela, carinhosamente me avisou que estava se aprontando e vindo para casa.

Acordei o Thiago para avisá-lo que a Doula estava à caminho. Ele assustado percebeu que a Helena estava mesmo vindo. Era o Dia.

Não houve como impedir que a Aninha acordasse e ela foi Linda, quis cuidar de mim, falava baixinho, estava calma. Sem precisar explicar nada, acho que ela entendeu, que era um dia especial.

Com as massagens e palavras suaves da Doula, me lembro de conseguir dormir um longo período no sofá, sentada, em meio as contrações. A presença dela, A Mulher Que Serve, mesmo sendo a segunda vez que a via, me trazia segurança.

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Às 06hs chegou a obstetriz Thais Peloggia Cursino que faria as medições e nos garantiria que o bebê estava bem. Não me lembro mais como estavam as contrações, pois eu já estava em outra Vibe (Rssss) e nem me lembraria de controlar isso. Estava já usando minha energia para respirar, respirar e respirar.

Entrei no chuveiro novamente por mais algumas horas. As massagens da Doula já estavam sendo necessidade de sobrevivência.
Thiago não podia sair de perto.  Eu o queria o tempo todo do meu lado. Eu não estava muito consciente e pouco abria os olhos, mas eu precisava ouvir sua voz e saber que estava ali do lado. Ainda mais que o habitual, sua presença virou uma necessidade.

Quando saí do longo e delicioso banho, que aliviava Muito a dor, fomos medir a dilatação e deitada na minha cama sobre sacos de lixo para não sujá-la, me recordo da ansiedade que me deu ao ouvir que minha dilatação marcava apenas 5cm. Acho que isso era em torno das 10hs da manhã. Meu Deus… só 5?

Neste momento me recordo de pedir à Doula que me lembrasse dos motivos às quais eu havia decidido passar por tudo aquilo.
Além de tantas palavras de motivação, palavras sábias, recebi também muito carinho nos cabelos, recebi música e muito afeto. Quero abrir um parênteses para falar da presença da doula. Resumo em 1 palavra: ESSENCIAL. Não tenho dúvidas de que apenas minha determinação e grande desejo de viver aquele momento, não seriam suficientes para que eu tivesse sucesso. Ela cuidou, reorganizou, redirecionou, deu afeto e afago. Foi minha anestesista, minha mãe, minha Super-Herói.

Foi então que decidi ir para o hospital. Comecei a temer pela intensidade da dor e o fato de estar no ambiente hospitalar me traria mais tranquilidade, afinal, era a primeira vez que eu sentia tudo aquilo.

O trajeto para o Hospital foi feito de joelhos, de 4, segurando no encosto do banco traseiro, onde eu tive o momento de maior concentração. O que me rendeu mais 3cm de dilatação. Que alegria ouvir da Obstetra (maravilhosa) Rosana Fontes que eu já atingira 8cm.

No hospital então recebi uma analgesia que durou apenas 1hs. Isto foi possível graças à equipe e hospital que optei.
Com este alívio temporário da dor, foi possível comer, dar risada e fazer bastante exercício na bola.

Passada a anestesia, fizemos nova medição e foi a grande surpresa. Dilatação TOTAL. Que delícia ouvir aquilo. Eu já sentia tudo novamente e iniciamos então a fase de expulsão.

Fiquei de 4 na cama, apoiada à uma barra. À cada contração, doula e GO empurravam minha bacia para ajudar no processo.

E quando começou a dar vontade de fazer forças, rapidamente me aprontei para a posição que sonhei em ter Helena. De Cócoras. Thiago sentou na poltrona nas minhas costas e me deu as mãos. Me apoiou e me sustentou!

Médico, doula e Enfermeira ficaram ali na minha frente, esperando a Helena aparecer.

À cada contração, recebia o estímulo para fazer forças e com muita concentração, fazia aquilo que meu corpo nasceu para fazer.

À medida que o bebê ia saindo, senti como se meu corpo fizesse força mesmo sem minha ajuda. Era um impulso natural. Meu corpo era puxado para baixo.

Essa sensação da expulsão é Maravilhosa e Inexplicável. Sem sombra de dúvidas é o momento que vale todo o processo de dor até chegar ali. É Intenso, é Prazeroso, é abençoado, é Natural… o corpo sabe o que fazer. É uma sensação de que o bebê ia sair mesmo se eu não fizesse força.

E assim fomos trabalhando juntos. Eu, Helena e Papai… unidos para fazer com que a chegada de Helena fosse a mais maravilhosa que pudéssemos ofertar à ela.

Meu Deus…. Foi SENSACIONAL.

Até que enfim ouvi: Alê… coloca a mão para você sentir sua filha. E em poucos minutos ela estava nos meus braços.  Ali, de verdade. Eu consegui. Nós conseguimos bebê. Que sensacional. O choro dela foi como música para os meus ouvidos. Ainda ligada à mim pelo cordão umbilical, sentia seu esforço para respirar. Um esforço natural.

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Ai ai (respiração profunda)…. E que jornada Fantástica. Me refez!!! A dor, simplesmente acabou.

Hoje, me olho no espelho, com carinho, e sinto uma eterna gratidão por ter conseguido usar meu corpo de forma tão sagrada e perfeitamente intensa. É como se tivesse redefinido o sentido dele. Eu passei a amar cada centímetro desse instrumento que usei com tanta entrega. É um sentimento de respeito, é interessante.
Percebo que apesar de ser a segunda gestação, meu corpo já está voltando ao normal mais rapidamente, só que desta vez isto não importa tanto, pois “Gostar daquilo que vejo no espelho”, agora não se resume mais à questão estética. Eu vejo um ser poderoso.

O parto Humanizado é muito mais que um acontecimento emocionante. Ele é ARREBATADOR. E estou aqui me referindo apenas aos aspectos emocionais, sem precisar fazer menção aos fatores físicos acerca da saúde da mãe, do bebê, da Ocitocina, etc, que também fazem dele uma ótima escolha.

Participar da chegada do ser que você mais vai amar em toda a vida é, no mínimo, uma sensação de dever cumprido.

Tive a equipe perfeita: Mamãe, Helena, Papai, Aninha (que me deixou tranquila em casa e quis cuidar de mim), minha Sogra que carinhosamente cuidou da irmã mais velha para que eu estivesse tranquila, Minha Linda cunhada Carol que quis estar presente em todo o processo me fazendo sentir especial, à Obstetra Expetacular Rosana Fontes, à Obstetriz Thais Peloggia que além dos cuidados fez com que tivéssemos fotos do momento (salvou minha vida rsss) e à minha linda doula Débora Regina Magalhães Diniz à qual me lembrarei eternamente.

Esta experiência me refez. Me transformou. ALGUÉM SAIU DE MIM ALÉM DA MINHA FILHA.

Eu simplesmente Sabia que seria Sensacional… e foi!

Atenção, pai: 20 coisas que sua filha pequena gostaria que você soubesse

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Este é uma cópia do link http://www.brasilpost.com.br/tara-hedman/pai-filha-pequena_b_5090740.html, mas que de tão apaixonante e IMPORTANTE, resolvi postá-lo aqui.

 

Estou passando a manhã esperando o meu carro ficar pronto na oficina. Quatro mecânicos e eu estamos inalando o cheiro de pneus e fumaça de escapamento enquanto uma encantadora fadinha saltita sem parar ao redor do seu papai. Ela senta no colo dele, dá risadas, se vira e depois vai rodopiar novamente no chão.

Ela está pulando e rodando na sua saia de babadinhos cor de rosa. A meia-calça preta de lã está folgada e forma dobras ao redor dos seus joelhinhos. Seu casaco fofinho faz seus bracinhos ficarem mais afastados do seu corpo do que o normal. Uma tiara brilhante de cristais fecha o conjunto, presa à sua cabeça com uns 60 grampos colocados em todas as direções.

Ela deve ter uns 4 aninhos. É tão pequena, tão vulnerável. Mas ela não está preocupada com nada disso, cantando sobre baratinhas e aranhas, calçando sapato tipo boneca. Fico com os olhos marejados olhando para ela. Fico com os olhos marejados olhando o pai olhar para ela. Aos 4 anos, ela não faz ideia da importância que esse homem, seu caráter ou suas palavras terão na vida dela por muitos e muitos anos. Talvez nem ele mesmo saiba.

Então, para todos os papais de garotinhas que ainda não têm idade suficiente para expressar o que elas precisam de você, aqui está uma lista de coisas que nós gostaríamos que vocês soubessem:

1. A maneira que você me ama é a maneira em que vou amar a mim mesma.

2. Pergunte como estou me sentindo e ouça atentamente a minha resposta, pois preciso saber que você me valoriza antes de poder entender o meu real valor.

3. Eu aprendo a maneira em que devo ser tratada pela maneira que você trata a minha mãe, independente de você ser casado com ela ou não.

4. Se você estiver com raiva de mim, eu sinto, mesmo sem entender, então converse comigo.

5. Por favor, não fale de sexo como se fosse um garoto adolescente ou vou pensar que é algo nojento.

6. Quando você fala com um tom gentil, eu entendo bem melhor o que você está falando.

7. A maneira que você fala sobre o corpo feminino, mesmo que seja “só de brincadeira”, é o que eu vou achar do meu próprio corpo.

8. A forma que você trata o meu coração, é a forma em que vou permitir que ele seja tratado por outros.

9. Se você me incentiva a descobrir o que me faz feliz, é isso que eu sempre vou buscar.

10. Ensine-me a amar a arte, a ciência e a natureza e eu aprenderei que o intelecto é mais importante do que o tamanho do meu manequim.

11. Deixe-me falar exatamente o que eu quero, ainda que seja errado ou bobo, pois eu preciso saber que você aceita que eu tenha uma voz forte.

12. Quando eu ficar mais velha, se você se mostrar assustado em relação ao meu corpo em transformação, vou acreditar que existe algo de errado com ele.

13. Se você me tratar com carinho, eu aprenderei a abraçar a minha própria vulnerabilidade ao invés de ter medo dela.

14. Quando você me deixar te ajudar a consertar o carro e a pintar a casa, eu vou acreditar que sou capaz de fazer qualquer coisa que um menino também faz.

15. Quando você protege minha feminilidade, eu aprendo que tudo em mim vale a pena ser protegido.

16. A maneira como você trata o nosso cachorro, quando acha que eu não estou olhando, me diz mais sobre você do que praticamente qualquer outra coisa.

17. Não deixe que o dinheiro seja o mais importante, ou eu vou aprender a não respeitar nem o dinheiro, nem você.

18. Me abrace, segure e beije de todas as formas que um pai faz que são boas, puras e corretas. Preciso muito disso para entender o que é um toque saudável.

19. Por favor, não minta, porque eu acredito no que você diz.

20. Não evite as conversas difíceis, pois fazendo isso você me faz acreditar que não vale a pena lutar por mim.

Na verdade, não é complicado. Garotinhas simplesmente amam seus papais. De vez em quando, quando a sua filha estiver rodopiando com aquela saia de babadinhos, lembre que um dia ela vai crescer. O que você quer que ela saiba sobre os homens, a vida, o amor e ela mesma? O que você faz e diz agora vai afetar o resto da vida dela. Papais, nunca subestimem o impacto que as suas palavras ou ações tem nas suas filhas, não importa a idade que elas tenham.

Herança

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Recentemente meu avô foi surpreendido com uma nova batalha para sua coleção, UM CÂNCER.

Passados os primeiros devaneios desesperados, que acredito serem naturais a qualquer pessoa que ame demais seu avô, comecei a pensar sobre uma palavra: HERANÇA. Engraçado como alguns nós emocionais só são possíveis de atar quando você se torna Pai, não pelo motivo obvio de “estar mais maduro”, que nem sempre é uma verdade, mas sim por que essa inquietação começa a fazer parte da sua vida diariamente. O que estou deixando de HERANÇA?

Depois dos primeiros dias, comecei a pensar no meu avô todos os dias de manhã, durante meu trajeto para o trabalho. Achei maravilhosamente absurda a disparidade entre seus bens materiais e seu legado espiritual. Espiritual não no sentido religioso ou místico da palavra, mas no sentido de desconexão total com o material. Sim, meu avô construiu muito coisa com seu trabalho, sua dedicação, sua paixão por criar, consertar, mas comecei a pensar na grandeza do que ele construiu como um grande “gestor da família”.

E mais uma vez me deu um dos maiores exemplos que um homem poderia ter. EU QUERO CONSTRUIR ISSO, EU QUERO DEIXAR ESSA HERANÇA!

Diariamente tenho revivido inúmeros momentos que vivenciei com ele. Mas, diferentemente das outras vezes, consigo entender a importância da HERANÇA, a importância de cada palavra, ou silêncio. Lembro-me de tantas coisas que seria impossível escrevê-las, mas resolvi compartilhar algumas, para que eu nunca me esqueça delas.

Lembro das incansáveis horas no “quartinho dos fundos” martelando, furando, lixando, pintando, refazendo. E eu, como se fosse um chaveiro, grudado ao seu lado tentando aprender tudo que eu podia de como ele fazia aquelas coisas fantásticas. Mas eu não sabia o que realmente eu estava aprendendo. Ele estava me ensinando que na vida quando algo se quebra, você concerta. Ele me ensinou que a verdeira felicidade não é “poder comprar outra”, ou substituir, mas em ser produtivo, ser criativo, e no fim, se orgulhar do que fez.

Lembro de todas as cirurgias que minha avó precisou fazer. Achava curioso como ele fazia tanta questão de ficar com ela todos os momentos, sem exceção, dias e noites. Na época eu não entendia, acho que nem conseguiria. Mas sim, ele estava ensinando a todos os seus discípulos o que significa CUMPLICIDADE!

Lembro de uma vez, dentre várias, em que meus pais resolveram mudar de casa. Meu avô estava automaticamente escalado para os reparos de saída, antes de devolver o imóvel. Desta vez, o dono da casa por algum motivo que não me recordo, alegou que a pintura estava de uma cor diferente e que isso tinha sido feito de má fé. Lembro como se fosse ontem como aquele comentário o feriu. Ele comprou por conta própria todas as tintas novamente, e repintou a casa inteira. É, ele estava me ensinando o significado da INTEGRIDADE!

Lembro das vezes que dormia na casa dele. Toda noite, mesmo com o joelho quase que totalmente desfuncional e muito dolorido, ele se ajoelhava, e por muitos minutos ficava ali, rezando. Não sei bem no que ele acredita, porque acredita ou como acredita, não porque era um segredo, mas porque não importava. Você nunca iria vê-lo se exaltar, ou transformar sua crença num espetáculo por atenção. Ele me ensinou que eu não posso impor minha crença a ninguém, e, mais importante ainda, que eu não posso deixar ninguém impor a mim.  Ele me ensinou o RESPEITO!

Lembro dos momentos de desunião, quando a família se afastava. Somente a presença dele era o suficiente para que todas as diferenças caíssem por terra. Ele é uma figura tão forte que todos os seus argumentos viram rebeldias infantis perto dele. Ele é o denominador comum da família, e ele não ganhou esse posto, ele conquistou.

Ele me ensinou o que realmente significa ser FORTE!

Lembro que ele me ensinou a ser corintiano roxo!
Lembro que ele me ensinou que um exemplo vale mais que mil palavras!
Lembro que ele me ensinou que o silêncio diz MUITA COISA!
Lembro que ele me ensinou que a sua família é seu maior tesouro!
Lembro que ele me ensinou o que era um arrebite pop!
Lembro que ele me ensinou a pescar!
Lembro que ele mesmo construiu a minha primeira cadeirinha de bicicleta!
Lembro que ele me ensinou a lembrar do passado!
Por fim, lembro das NOITES DE NATAL!  Quem as viveu comigo sabe do que estou falando, pra quem não, só posso dizer uma coisa: ele nos ensinou a CONSTRUIR UMA FAMÍLIA!

Ao meu amado avô, Obrigado pela HERANÇA!

 

Thiago Chagas

Não Invalide

Não quero ouvir

Atualmente ouve-se muito falar da psicologia positiva, que é a área da psicologia voltada à motivar o ser humano, validando o que ele tem de melhor e o impulsionando a ser mais feliz.

No entanto é necessário entender como é o processo contrário à isto, que negativa a vida e processos emocionais das pessoas.

Assim como a Validação é essencialmente importante na vida do ser humano, o controle da INVALIDAÇÃO também é necessária para a saúde emocional e psíquica de todos. Quando se invalida alguém, você está tirando deste a capacidade de se sentir vencedor ou merecedor.

Existem muitas formas de invalidar alguém.

Invalida quando não reconhece o esforço;
Invalida quando não agradece um presente;
Invalida quando não faz questão de firmar a auto-estima com elogios, seja acerca da estética, da inteligência, da gentileza, do capricho, etc.
Invalida quando não se alegra com a doação que o outro o faz, seja de tempo, de dinheiro, de presentes ou de amor.
Invalida quando faz uma crítica sem amor. Sem antes pensar no mal que a crítica pode fazer àquela pessoa e na forma com a qual esta crítica deve ser feita.
Invalida quando se compara.
Invalida quando não oferece atenção à vida da pessoa. Quando não a percebe.
Invalida quando não se preocupa com seus sentimentos e os transgride o tempo todo.
Invalida quando se é intrusiva, quando não respeita.
Invalida quando precisa contar para os outros mentiras acerca do sucesso do seu filho.
Invalida quando não se preocupa com o sofrimento dele.

Não é incomum ver pais cometendo algum dos pecados mencionados acima. O problema maior ocorre quando a maioria deles são vividos e inseridos na convivência.
Para uma criança, isto pode se tornar a mensagem clara de que ela não tem valor.

Um bebê nasce como uma memória de computador vazia. O meio e as experiências vividas vão inserindo nele as informações acerca do mundo, dos outros e principalmente de si mesmo.

Como deve se sentir um adulto, que por toda a infância não obtinha o reconhecimento do que fazia? Toda ação era criticada, por vezes na frente dos outros (o que é ainda pior), ou simplesmente não era percebida. Aquele desenho, aquela pirueta ou aquela palavra nova que aprendeu a dizer, que deveria ser reconhecido e aplaudido, foi meramente “não notado”.
Que experiência de sucesso esta pessoa teve para confirmar ou inserir em seu inconsciente, a validação de que faz algo bem? Pais exigentes demais, ou críticos sem amor, passam a mensagem de fracasso.

Que sensação de respeito, de ser respeitada, uma pessoa adulta terá quando teve em sua infância seus segredos contados aos outros, suas vergonhas expostas, seu diário lido sem autorização, sua intimidade não respeitada? Pais intrusivos ensinam falta de respeito.

Que auto-estima terá um adulto que quando criança era sempre comparada ao amigo mais bonito, aos primos mais magros (ou mais gordos), ao vizinho mais inteligente? Que auto-estima deve ter o adulto, que quando criança nunca foi chamado de “Princesa/ Príncipe  ou simplesmente nunca teve seus traços físicos ou intelectuais elogiados verdadeiramente, com amor. Para os pais, os filhos são sempre lindos e perfeitos, basta um coração livre para reconhecê-los. Pais egocêntricos geram filhos Mal Amados.

Que motivação em ser gentil, deve ter um adulto que por toda a infância não recebeu agradecimento pelos presentes que comprou, pelas surpresas que fez, pelo gesto carinhoso que exerceu? Pais mal agradecidos geram filhos egoístas.

Como pode se sentir seguro, o adulto que na infância não teve suas necessidades satisfeitas. Quando se machucava e chorava era chamado de covarde, quando levava um sustos e tinha medo, era julgado de fraco, ou quando estava carente e precisando de carinho, era tachado de “fresco”? Quando as necessidades básicas de segurança e afeto, que são traduzidas em Amor, não foram sanadas, a criança tende a ser ansiosa e insegura. Pais cruéis geram filhos medrosos.

Como será o emocional de um adulto que quando criança, ao ser identificado traços de homossexualidade, obteve rigidez, distanciamento e opressão dos pais?  Diversos fatores influenciam na orientação sexual de uma pessoa, dentre eles a própria relação vivida entre mãe/pai e filho.  Acredita-se que o desejo da mãe acerca do sexo do bebê, tenha influência em sua orientação sexual, pois desde sua criação foi desejado como tal e há inconscientemente o desejo em satisfazer os desejos da mãe para ser aceito e amado. Bem como quando o cuidador do mesmo sexo é agressivo e opressor com a criança, mas amoroso e delicado com o cuidador do sexo oposto, passando a mensagem que é preciso ser mulher ou homem para ser aceito e amado.
Não obstante à isso, o fato é que independente das razões, sejam genéticas ou influenciadas pelo meio, a criança precisa e deseja ser amada, respeitada, aceita e amparada como qualquer outra.   E sem dúvidas sofrerá as consequências da falta disso.  Muitas vezes esta consequência pode ser a experiência de viver uma vida toda na busca da aceitação das pessoas, seja tentando provar o próprio sucesso, seja aceitando condições extremas nas relações, seja estando sempre em estado de alerta cheio de defesas contra a não aceitação de alguém ou vivendo dentro de um casulo sem se arriscar a ser negado.  Não é simples entender o quanto você foi amado, quando obteve uma mensagem diferente desta na infância por imaturidade dos pais.  Pais preconceitusos criam filhos que não se aceitam.

Que sentimento de valor próprio terá o adulto que quando criança ouvia seu pai/mãe contando mentiras acerca dos seus sucessos? A criança tira notas boas, mas os pais dizem que é o melhor aluno da classe. A criança foi selecionada para uma apresentação, mas os pais saem contando que foi o ator principal. A mensagem clara que esta criança recebe é que aquilo que ela realmente é, não satisfaz os pais. Não é bom o suficiente. Ao invés de dizer que era o ator principal, a atitude de reconhecimento e motivação seria falar da alegria e orgulho pelo filho ter sido escolhido. Do orgulho pelas notas do filho, mesmo motivando-o a ainda melhorá-las. Pais inseguros, geram filhos ainda mais inseguros.

Fatalmente qualquer pai/mãe poderá ferir um dos itens que equilibram as emoções de uma criança. Torna-se um problema quando as atitudes tornam-se um padrão, podendo gerar consequências ruins na vida desta criança que terá, mais tarde, que colher os frutos destas experiências. Como adulto, enfrentará as relações, o trabalho, seus próprios filhos, porém com a bagagem emocional cheia de sequelas.

Este adulto pode reequilibrar as emoções estando disposto a viver um processo terapêutico, onde pontuará os sofrimentos vividos, perceberá o estrago causado, viverá os ódios necessários e se reorganizará. No entanto, penso que a maior perda em tudo isso, é na distância emocional experimentada entre pai/mãe e filho. Para isto não existe reparo.
Independente se o filho se deu bem na vida porque obteve suporte emocional através de outras figuras importantes na educação, ou se foi em busca de outras soluções emocionais para o vazio experimentado, o que não foi construído nesse tempo, talvez não o seja mais.
Penso que isto deve ser desastroso no coração de um pai/mãe que vir a perceber isso apenas quando sua criança se tornar um adulto.

Que esta seja uma suficiente razão para que pais e mães possam rever suas relações com os filhos.

O mais assustador, é que a maioria dos pais não percebem que estão errando. Criam razões convincentes para se enganarem de que estão fazendo a coisa certa, ou simplesmente nem pensam nisso. Agem simplesmente como aprenderam.
Por isso MATERNIZAR / PATERNIZAR é essencial. Instigue-se mesmo. Queria se descobrir, se entender e se curar. Você aprendeu, por algum motivo, a ser assim, então se quiser, pode aprender a ser diferente.

Vale uma dica: Quando pensar em validar e houver um incômodo emocional que o impede de fazê-lo… É aí que está aquilo que precisa conhecer e trabalhar acerca de si mesmo.

Vale a pena o esforço para estreitar o vínculo que vocês construirão. Vale a pena para fazer do seu filho um ser humano saudável e feliz. E mais que isso, vale a pena porque você será muito mais feliz.

Um simples olhar, um sorriso, um singelo elogio são suficientes para você validar.
A Validação permite que as pessoas sejam aceitas pelo que realmente são e graças à isto, elas começarão a acreditar em si mesmas e crescerão para serem felizes e muitas vezes serão aquilo que esperamos delas.

Por isso elogie, agradeça, respeite, acalente, dê carinho, esteja presente, AME.     VALIDE!!!

Isso faz bem aos outros e faz Muito Bem à Você.

Alessandra Sassá

O Amor que não morre

Na véspera do aniversário de 1 ano da minha filha, parei para refletir acerca do meu aniversário de 1 ano e toda a emoção envolvida nele.

Parei para pensar nos dias que antecederam minha festinha e no amor envolvido em tudo.

E não pude deixar de identificar em quantas coisas sou parecida com a minha mãe e quantas coisas ela me ensinou.

Me ensinou a dançar fazendo interpretação de personagens;
Me ensinou a escrever, alegando que se eu eu não parasse naquele momento para aprender, não iria mais brincar na rua;
Me ensinou a organizar e limpar as minhas coisas alegando que precisava da minha ajuda e fazia também uma troca do trabalho por balas (Rsss);
Me ensinou a ser divertida porque era a pessoa mais bem humorada do meu convívio;
Me ensinou a ser independente quando com 6 anos me pedia para ir comprar pão e ovos sozinha. Ela me deu autonomia;
Me ensinou o afeto quando milhares de vezes me fez cafuné até dormir. Ela me aconchegou;
Me ensinou a ser livre quando me deixou brincar na rua, mas sabendo que eu tinha para onde voltar após um simples e alto assovio dado do portão de casa.;
Ela me ensinou a me sentir segura quando se despediu de mim no meu primeiro dia da escola, mas voltou no final do dia;
Me ensinou a me sentir querida, quando planejou a melhor festa surpresa da minha vida, com um bolo feito por ela e 5 amiguinhos no quintal e casa;
Me ensinou a ser forte quando criou, e de forma maravilhosa, 3 filhos longe da família.
É minha maior referência de amor ao esposo, pois Amou, Amou e simplesmente Amou;
Foi a segunda maior cozinheira (a primeira é minha madrinha) que já conheci;
Me motivou quando esteve presente orgulhosa às minhas apresentações da escola e recitais. Ela ainda fazia questão de me fazer recitar para todo mundo;
Ela é minha referência e quero muito aprender, a viver do necessário, quando dependia do dinheiro do esposo para tudo e estava sempre Linda. (1 chicletes durava semanas, porque era um pedacinho de cada vez, e o resto ficava na geladeira para outro dia Rssss);
Me ensinou acerca de sabedoria quando escolheu meus padrinhos para me batizar. Foi uma escolha orientada por Deus.
Ela me ensinou a perdoar…. Como ela perdoou;
Ela me ensinou a Amar, simplesmente porque eu me senti amada demais. Talvez ela soubesse que teríamos pouco tempo e fez valer a pena;
Ela só não me ensinou a dizer Adeus. Eu não consegui dizer e nem vou fazê-lo.  Ainda estarei com ela denovo para partilhar tantas coisas acerca de ser mãe, para agradecê-la por tudo, para contar o quanto ela fez falta e por vezes absurdamente, em determinados momentos da minha Vida. Para sentir seu cheirinho denovo e elogiar as unhas mais bem cuidadas que eu já vi. Para agradecer por não ter sido egoísta e ter tido mais filhos, porque eu não teria tido estrutura nenhuma sem os meus dois irmãos. Para dizer que a qualidade de tempo e amor que ela me deu foram MUITO mais que suficientemente bons, mas foram bases para toda a minha Vida.
Com certeza ela me ensinou a ser mãe. Se eu não tivesse sido amada, pouco provável que eu amasse tanto a minha filha.  Falta muito para eu ser a mulher que ela era.  Mas existe uma referência .. e o mais interessante é que quanto mais me descubro e me resolvo, mais vou percebendo que quero ser uma mãe e mulher como ela.

Sem dúvida ela vai estar muito presente amanhã na festinha.  Infelizmente só no meu coração, mas em todo momento vou me recordar da minha festinha de 1 ano que foi no mesmo lugar e com o mesmo amor.

Seria muito bom se ela estivesse lá.

Ainda vou contar à ela como foi tão especial quanto a minha.  Simplesmente porque envolvia mais que qualquer outra coisa… MUITO AMOR.

Seria maravilhoso se ela estivesse lá.

Alessandra Sassá

Quero Maternizar

A cada dia experimento um pouco mais a Maternidade e nesse processo tenho entendido que ser mãe é querer, acima de qualquer outra coisa, a plenitude na vida do filho.

Maternizar pode ser traduzido como gravar no inconsciente do seu filho que ele está seguro. Seguro para crescer, errar, para acertar,  viver, se entristecer, etc .

Amor não é garantia de nada. Eu tenho uma responsabilidade e por isso preciso, buscar me conhecer mais à cada dia, elaborar os conflitos e equilibrar as emoções para nunca permitir uma comunicação falha, que gere culpa, que fira, que deprima ou que limite … não posso me permitir deixar nela marcas irreversíveis que talvez eu nunca vá percebê-las e reconhecê-las, nem repará-las.

Quero dar o Amor Certo e o limite necessário.

Quero que a felicidade dela esteja sempre acima da minha mesmo que isto me exija abandonar o egoísmo e a inconsequência para que à cada etapa eu consiga dar o meu melhor.

Vou buscar ser sempre o mais feliz que puder, pois assim garantirei não lançar sobre ela nenhuma das minhas frustrações.

Preciso cuidar de mim. Ela precisa de mim ou talvez eu dela, no entanto quero ser MUITO SAUDÁVEL pois preciso estar viva por muitos anos para acompanhá-la.

Quero estar presente quando ela tiver sonhos engraçados, pois vou sempre querer ouvi-los. Quero que ela livremente fantasie suas idéias infantis.

Quero conhecer seu primeiro amor e acreditar com ela que ele será o ultimo e o mais intenso, porque os sentimentos dela serão sempre sagrados.

Quero entender seus motivos, quando na rebeldia necessária da adolescência, ela ficar enfurecida e me julgar uma chata, pois vou trabalhar para que ela se sinta segura para expressar suas opiniões. O respeito se ensina de outras formas.

Quero orientá-la na decisão da graduação e que carreira seguir, respeitando suas escolhas e sugerindo caminhos, pois eu estarei sempre atenta às suas aptidões e talentos.

Quero estar disposta à acompanha-la nas provas de atletismo, ou nas consultas médicas, pois mesmo sem o intuito de ser sua melhor amiga, porque mãe ocupa outro papel, quero que ela saiba que me tem Sempre que precisar.

Quero festejar ardentemente suas conquistas. Por menor que sejam elas serão reconhecidas.

Quero estar presente nos momentos em que a minha opinião e aprovação forem necessárias. Com toda a minha sinceridade eu as darei, pois nos comunicamos não só com palavras e ela saberá se eu mentir.

Quero e devo estar presente nos momentos em que suas atitudes exigirem correção. Preciso percebê-las por mais sutis que sejam, pois o caráter se forma nos detalhes.

Quero estar presente quando ela fizer escolhas erradas, pois preciso orientá-la sem nunca me esquecer que ela precisará se sentir segura. E que ficar lembrando que eu já havia dito que não daria certo, só servirá para gerar culpa e nada mais.

Quero dar bronca. Sempre pelas atitudes dela e jamais julgá-la pelas tais. Eu sou a responsável pela formação da sua auto-estima, portanto preciso deixar claro, por exemplo, que ela precisa prestar mais atenção para resolver as tarefas de casa e jamais dizer que ela é burra por não conseguir fazê-los com sucesso.

Quero estar presente quando ela estiver triste. Como eu quero. Sem precisar perguntar nada, quero apenas acalentá-la.

Quero estar presente quando ela se sentir sozinha. A solidão fere a alma. Sei que a rotina não irá permitir que eu esteja lá em todos os momentos. Isto é bom para ensiná-la também a lidar com os problemas sozinha, mas quero sempre voltar, pois é necessário para sua saúde emocional que ela se sinta segura e amparada.

Quero estar presente sempre que ela adoecer, pois com bom ânimo vou apresentá-la uma forma suave de encarar doenças para que ela as passe quase que imperceptivelmente. As coisas têm sempre o grau de importância que damos à elas.

Quero estar presente em todos os momentos que ela precisar conversar, pois quero estimulá-la a falar de seus sentimentos, medos, emoções, etc. Isto me deixará mais próxima dela e a deixará mais distante de doenças.

Quero ser sua cúmplice. As vitórias dela vou repartir com os outros, mas os fracassos ela confiará que ninguém saberá, pois quando expomos a nossa vida, damos ao outro a liberdade de julgar, se intrometer e muitas vezes gerar um grande problema. A vida dela será o meu maior tesouro.

Quero estar presente quando ela se casar e formar sua própria família. Me esforçarei para que ela crie os vínculos necessários e “corte o cordão umbilical”, pois a família dela precisará disso. Precisará que ela pertença à eles e dê início a um novo ciclo, por mais doloroso para mim que isso possa ser.

Quero estar lá quando vier um bebê. E torço muito para que venha. Pois por toda a gestação tentarei fazê-la entender acerca da mudança que sua vida terá e que acima de tudo ela poderá contar comigo.

Farei questão de amá-la ainda mais, pois ela estará há um passo de conseguir entender o porquê foi tão necessário para mim estar presente em toda a vida dela.

Ela vai enfim entender o meu amor.

Ela PRECISA SER FELIZ. Esta foi a missão que Deus me deu. E irei cumprí-la Majestosamente.

Eis-me aqui Senhor. Que eu esteja sempre motivada a me conhecer, humilde para reconhecer tudo o que preciso mudar e corajosa para pedir ajuda se necessário. O restante, sei que meu AMOR se encarregará de conseguir.

AMO DEMAIS ESSA VOCAÇÃO.

Alessandra Sassá

Perdas Necessárias

Você já parou para pensar nas situações de convívio as quais você sente uma angustia sem conseguir identificar a origem? Já se sentiu preso a uma dinâmica onde você é obrigado, mesmo que inconscientemente a agradar alguém?

No decorrer da nossa história experimentamos diversas relações. Há aquelas superficiais, no sentido de não ter formação de vinculo afetivo, há as que matemos por nos fazer muito bem, há as que já não existem mais e há também as que precisam ser trabalhadas.

Dentro da família, quando ainda criança, somos moldados e influenciados acerca das dinâmicas já existentes na casa e a partir daí, construímos nossa forma de ver a vida, de enfrentar os problemas e de definir aquilo que muitas vezes é chamado de “Personalidade”.

As pessoas com as quais estabelecemos vínculos profundos são as que mais influenciam na formação da nossa conduta e características emocionais. E se houver alguma disfunção, por menor e mais imperceptível que seja, ela irá trazer consequências em nossa vida adulta.

Há vínculos que nos escravizam, tornando-nos reféns de uma dinâmica de imposições não verbalizadas, dívidas subjetivas, culpas desnecessárias, enfim, há vínculos que trazem ansiedade e sofrimento e que precisam ser trabalhados.

Podemos estar sofrendo os sintomas dessa relação disfuncional, sem percebê-los, pois temos o costume de romantizar algumas relações, nos cobrando a obrigatoriedade de fazer o outro feliz e de se sentir feliz com este convívio.

Descobrir que algumas dinâmicas dos vínculos vividos estão na verdade nos escravizando, ao invés de nos transmitir vida ou segurança como imaginávamos, é um processo extremamente doloroso, mas que nos permite entender as motivações de muitas das nossas escolhas bem como o gatilho de muitas das nossas angústias. É libertador.

Na grande maioria das vezes, há muito amor envolvido. Seja daquele que escraviza, quanto do escravizado. Porém, sutilmente e quase imperceptível é adotado uma dinâmica incoerente.

Deixar de fazer parte disto, é um passo importantíssimo para o crescimento e liberdade emocional. Há casos em que o rompimento da relação é necessário, em outros a pessoa relacionada jamais deixará de ser importante e especial, porém a relação deverá sofrer apenas algumas mudanças para que a vida seja mais plena e feliz.

A partir daí, tudo vai tendo outra direção. Com o coração livre você se torna mais forte e mais feliz, pois deixa de ser sabotado pela dependência emocional e aprende a se defender das atitudes muitas vezes manipuladoras.  As dívidas subjetivas vão deixando de existir, as culpas também, você passa a ter liberdade de escolha.

As relações saudáveis existem quando existe uma troca real. Existe apoio, amizade, interesse e um colinho no momento que mais precisa de uma força. Não deve haver atitudes manipuladoras e opressoras, nem disputa ou desqualificação, mas pessoas que se querem bem, que explicam sentimentos, que se comunicam e se respeitam. Pessoas que não se culpam.

Esta troca equilibrada entre ceder e requisitar, dar e receber afeto e atenção nos aproxima de modo saudável das pessoas que nos cercam sem corrermos o risco de criar vínculos destrutivos.

Se há um desiquilíbrio nesta troca, este vínculo precisa ser reavaliado. As emoções estudadas e levadas a sério pois corre-se o risco de desperdiçar uma vida toda gastando energia com sentimentos que não te constroem e por vezes te desqualificam.

Esteja sempre atento aos vínculos que você cria, aos que deve trabalhar e àqueles que você deve abandonar.

Afinal, viver é uma arte que precisamos desenvolver dia a dia, sendo fiel às emoções, buscando desvendá-las, eliminando o que faz mal, colocando limites e Sendo Muito Feliz.

Alessandra Sassá