Perdas Necessárias

Você já parou para pensar nas situações de convívio as quais você sente uma angustia sem conseguir identificar a origem? Já se sentiu preso a uma dinâmica onde você é obrigado, mesmo que inconscientemente a agradar alguém?

No decorrer da nossa história experimentamos diversas relações. Há aquelas superficiais, no sentido de não ter formação de vinculo afetivo, há as que matemos por nos fazer muito bem, há as que já não existem mais e há também as que precisam ser trabalhadas.

Dentro da família, quando ainda criança, somos moldados e influenciados acerca das dinâmicas já existentes na casa e a partir daí, construímos nossa forma de ver a vida, de enfrentar os problemas e de definir aquilo que muitas vezes é chamado de “Personalidade”.

As pessoas com as quais estabelecemos vínculos profundos são as que mais influenciam na formação da nossa conduta e características emocionais. E se houver alguma disfunção, por menor e mais imperceptível que seja, ela irá trazer consequências em nossa vida adulta.

Há vínculos que nos escravizam, tornando-nos reféns de uma dinâmica de imposições não verbalizadas, dívidas subjetivas, culpas desnecessárias, enfim, há vínculos que trazem ansiedade e sofrimento e que precisam ser trabalhados.

Podemos estar sofrendo os sintomas dessa relação disfuncional, sem percebê-los, pois temos o costume de romantizar algumas relações, nos cobrando a obrigatoriedade de fazer o outro feliz e de se sentir feliz com este convívio.

Descobrir que algumas dinâmicas dos vínculos vividos estão na verdade nos escravizando, ao invés de nos transmitir vida ou segurança como imaginávamos, é um processo extremamente doloroso, mas que nos permite entender as motivações de muitas das nossas escolhas bem como o gatilho de muitas das nossas angústias. É libertador.

Na grande maioria das vezes, há muito amor envolvido. Seja daquele que escraviza, quanto do escravizado. Porém, sutilmente e quase imperceptível é adotado uma dinâmica incoerente.

Deixar de fazer parte disto, é um passo importantíssimo para o crescimento e liberdade emocional. Há casos em que o rompimento da relação é necessário, em outros a pessoa relacionada jamais deixará de ser importante e especial, porém a relação deverá sofrer apenas algumas mudanças para que a vida seja mais plena e feliz.

A partir daí, tudo vai tendo outra direção. Com o coração livre você se torna mais forte e mais feliz, pois deixa de ser sabotado pela dependência emocional e aprende a se defender das atitudes muitas vezes manipuladoras.  As dívidas subjetivas vão deixando de existir, as culpas também, você passa a ter liberdade de escolha.

As relações saudáveis existem quando existe uma troca real. Existe apoio, amizade, interesse e um colinho no momento que mais precisa de uma força. Não deve haver atitudes manipuladoras e opressoras, nem disputa ou desqualificação, mas pessoas que se querem bem, que explicam sentimentos, que se comunicam e se respeitam. Pessoas que não se culpam.

Esta troca equilibrada entre ceder e requisitar, dar e receber afeto e atenção nos aproxima de modo saudável das pessoas que nos cercam sem corrermos o risco de criar vínculos destrutivos.

Se há um desiquilíbrio nesta troca, este vínculo precisa ser reavaliado. As emoções estudadas e levadas a sério pois corre-se o risco de desperdiçar uma vida toda gastando energia com sentimentos que não te constroem e por vezes te desqualificam.

Esteja sempre atento aos vínculos que você cria, aos que deve trabalhar e àqueles que você deve abandonar.

Afinal, viver é uma arte que precisamos desenvolver dia a dia, sendo fiel às emoções, buscando desvendá-las, eliminando o que faz mal, colocando limites e Sendo Muito Feliz.

Alessandra Sassá

2 thoughts on “Perdas Necessárias

  1. Precisa maturidade para suportar e enfrentar estas “perdas necessárias”. Faz parte de um aprendizado duro e, como você diz, necessário. Por amor, apego, medo, insegurança e também respeito ao outro, muitas vezes permanecemos amarrados e escravizados a tantas coisas… bom quando a compreensão chega e a gente aprende que o que não é bom nós, também não é bom e nem saudável para o outro! Todos crescemos com as “perdas necessárias”. Gostei muito do seu texto, do seu blog. Também agradeço por ter visitado o meu e deixado um recado!

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