O Amor que não morre

Na véspera do aniversário de 1 ano da minha filha, parei para refletir acerca do meu aniversário de 1 ano e toda a emoção envolvida nele.

Parei para pensar nos dias que antecederam minha festinha e no amor envolvido em tudo.

E não pude deixar de identificar em quantas coisas sou parecida com a minha mãe e quantas coisas ela me ensinou.

Me ensinou a dançar fazendo interpretação de personagens;
Me ensinou a escrever, alegando que se eu eu não parasse naquele momento para aprender, não iria mais brincar na rua;
Me ensinou a organizar e limpar as minhas coisas alegando que precisava da minha ajuda e fazia também uma troca do trabalho por balas (Rsss);
Me ensinou a ser divertida porque era a pessoa mais bem humorada do meu convívio;
Me ensinou a ser independente quando com 6 anos me pedia para ir comprar pão e ovos sozinha. Ela me deu autonomia;
Me ensinou o afeto quando milhares de vezes me fez cafuné até dormir. Ela me aconchegou;
Me ensinou a ser livre quando me deixou brincar na rua, mas sabendo que eu tinha para onde voltar após um simples e alto assovio dado do portão de casa.;
Ela me ensinou a me sentir segura quando se despediu de mim no meu primeiro dia da escola, mas voltou no final do dia;
Me ensinou a me sentir querida, quando planejou a melhor festa surpresa da minha vida, com um bolo feito por ela e 5 amiguinhos no quintal e casa;
Me ensinou a ser forte quando criou, e de forma maravilhosa, 3 filhos longe da família.
É minha maior referência de amor ao esposo, pois Amou, Amou e simplesmente Amou;
Foi a segunda maior cozinheira (a primeira é minha madrinha) que já conheci;
Me motivou quando esteve presente orgulhosa às minhas apresentações da escola e recitais. Ela ainda fazia questão de me fazer recitar para todo mundo;
Ela é minha referência e quero muito aprender, a viver do necessário, quando dependia do dinheiro do esposo para tudo e estava sempre Linda. (1 chicletes durava semanas, porque era um pedacinho de cada vez, e o resto ficava na geladeira para outro dia Rssss);
Me ensinou acerca de sabedoria quando escolheu meus padrinhos para me batizar. Foi uma escolha orientada por Deus.
Ela me ensinou a perdoar…. Como ela perdoou;
Ela me ensinou a Amar, simplesmente porque eu me senti amada demais. Talvez ela soubesse que teríamos pouco tempo e fez valer a pena;
Ela só não me ensinou a dizer Adeus. Eu não consegui dizer e nem vou fazê-lo.  Ainda estarei com ela denovo para partilhar tantas coisas acerca de ser mãe, para agradecê-la por tudo, para contar o quanto ela fez falta e por vezes absurdamente, em determinados momentos da minha Vida. Para sentir seu cheirinho denovo e elogiar as unhas mais bem cuidadas que eu já vi. Para agradecer por não ter sido egoísta e ter tido mais filhos, porque eu não teria tido estrutura nenhuma sem os meus dois irmãos. Para dizer que a qualidade de tempo e amor que ela me deu foram MUITO mais que suficientemente bons, mas foram bases para toda a minha Vida.
Com certeza ela me ensinou a ser mãe. Se eu não tivesse sido amada, pouco provável que eu amasse tanto a minha filha.  Falta muito para eu ser a mulher que ela era.  Mas existe uma referência .. e o mais interessante é que quanto mais me descubro e me resolvo, mais vou percebendo que quero ser uma mãe e mulher como ela.

Sem dúvida ela vai estar muito presente amanhã na festinha.  Infelizmente só no meu coração, mas em todo momento vou me recordar da minha festinha de 1 ano que foi no mesmo lugar e com o mesmo amor.

Seria muito bom se ela estivesse lá.

Ainda vou contar à ela como foi tão especial quanto a minha.  Simplesmente porque envolvia mais que qualquer outra coisa… MUITO AMOR.

Seria maravilhoso se ela estivesse lá.

Alessandra Sassá