Não Invalide

Não quero ouvir

Atualmente ouve-se muito falar da psicologia positiva, que é a área da psicologia voltada à motivar o ser humano, validando o que ele tem de melhor e o impulsionando a ser mais feliz.

No entanto é necessário entender como é o processo contrário à isto, que negativa a vida e processos emocionais das pessoas.

Assim como a Validação é essencialmente importante na vida do ser humano, o controle da INVALIDAÇÃO também é necessária para a saúde emocional e psíquica de todos. Quando se invalida alguém, você está tirando deste a capacidade de se sentir vencedor ou merecedor.

Existem muitas formas de invalidar alguém.

Invalida quando não reconhece o esforço;
Invalida quando não agradece um presente;
Invalida quando não faz questão de firmar a auto-estima com elogios, seja acerca da estética, da inteligência, da gentileza, do capricho, etc.
Invalida quando não se alegra com a doação que o outro o faz, seja de tempo, de dinheiro, de presentes ou de amor.
Invalida quando faz uma crítica sem amor. Sem antes pensar no mal que a crítica pode fazer àquela pessoa e na forma com a qual esta crítica deve ser feita.
Invalida quando se compara.
Invalida quando não oferece atenção à vida da pessoa. Quando não a percebe.
Invalida quando não se preocupa com seus sentimentos e os transgride o tempo todo.
Invalida quando se é intrusiva, quando não respeita.
Invalida quando precisa contar para os outros mentiras acerca do sucesso do seu filho.
Invalida quando não se preocupa com o sofrimento dele.

Não é incomum ver pais cometendo algum dos pecados mencionados acima. O problema maior ocorre quando a maioria deles são vividos e inseridos na convivência.
Para uma criança, isto pode se tornar a mensagem clara de que ela não tem valor.

Um bebê nasce como uma memória de computador vazia. O meio e as experiências vividas vão inserindo nele as informações acerca do mundo, dos outros e principalmente de si mesmo.

Como deve se sentir um adulto, que por toda a infância não obtinha o reconhecimento do que fazia? Toda ação era criticada, por vezes na frente dos outros (o que é ainda pior), ou simplesmente não era percebida. Aquele desenho, aquela pirueta ou aquela palavra nova que aprendeu a dizer, que deveria ser reconhecido e aplaudido, foi meramente “não notado”.
Que experiência de sucesso esta pessoa teve para confirmar ou inserir em seu inconsciente, a validação de que faz algo bem? Pais exigentes demais, ou críticos sem amor, passam a mensagem de fracasso.

Que sensação de respeito, de ser respeitada, uma pessoa adulta terá quando teve em sua infância seus segredos contados aos outros, suas vergonhas expostas, seu diário lido sem autorização, sua intimidade não respeitada? Pais intrusivos ensinam falta de respeito.

Que auto-estima terá um adulto que quando criança era sempre comparada ao amigo mais bonito, aos primos mais magros (ou mais gordos), ao vizinho mais inteligente? Que auto-estima deve ter o adulto, que quando criança nunca foi chamado de “Princesa/ Príncipe  ou simplesmente nunca teve seus traços físicos ou intelectuais elogiados verdadeiramente, com amor. Para os pais, os filhos são sempre lindos e perfeitos, basta um coração livre para reconhecê-los. Pais egocêntricos geram filhos Mal Amados.

Que motivação em ser gentil, deve ter um adulto que por toda a infância não recebeu agradecimento pelos presentes que comprou, pelas surpresas que fez, pelo gesto carinhoso que exerceu? Pais mal agradecidos geram filhos egoístas.

Como pode se sentir seguro, o adulto que na infância não teve suas necessidades satisfeitas. Quando se machucava e chorava era chamado de covarde, quando levava um sustos e tinha medo, era julgado de fraco, ou quando estava carente e precisando de carinho, era tachado de “fresco”? Quando as necessidades básicas de segurança e afeto, que são traduzidas em Amor, não foram sanadas, a criança tende a ser ansiosa e insegura. Pais cruéis geram filhos medrosos.

Como será o emocional de um adulto que quando criança, ao ser identificado traços de homossexualidade, obteve rigidez, distanciamento e opressão dos pais?  Diversos fatores influenciam na orientação sexual de uma pessoa, dentre eles a própria relação vivida entre mãe/pai e filho.  Acredita-se que o desejo da mãe acerca do sexo do bebê, tenha influência em sua orientação sexual, pois desde sua criação foi desejado como tal e há inconscientemente o desejo em satisfazer os desejos da mãe para ser aceito e amado. Bem como quando o cuidador do mesmo sexo é agressivo e opressor com a criança, mas amoroso e delicado com o cuidador do sexo oposto, passando a mensagem que é preciso ser mulher ou homem para ser aceito e amado.
Não obstante à isso, o fato é que independente das razões, sejam genéticas ou influenciadas pelo meio, a criança precisa e deseja ser amada, respeitada, aceita e amparada como qualquer outra.   E sem dúvidas sofrerá as consequências da falta disso.  Muitas vezes esta consequência pode ser a experiência de viver uma vida toda na busca da aceitação das pessoas, seja tentando provar o próprio sucesso, seja aceitando condições extremas nas relações, seja estando sempre em estado de alerta cheio de defesas contra a não aceitação de alguém ou vivendo dentro de um casulo sem se arriscar a ser negado.  Não é simples entender o quanto você foi amado, quando obteve uma mensagem diferente desta na infância por imaturidade dos pais.  Pais preconceitusos criam filhos que não se aceitam.

Que sentimento de valor próprio terá o adulto que quando criança ouvia seu pai/mãe contando mentiras acerca dos seus sucessos? A criança tira notas boas, mas os pais dizem que é o melhor aluno da classe. A criança foi selecionada para uma apresentação, mas os pais saem contando que foi o ator principal. A mensagem clara que esta criança recebe é que aquilo que ela realmente é, não satisfaz os pais. Não é bom o suficiente. Ao invés de dizer que era o ator principal, a atitude de reconhecimento e motivação seria falar da alegria e orgulho pelo filho ter sido escolhido. Do orgulho pelas notas do filho, mesmo motivando-o a ainda melhorá-las. Pais inseguros, geram filhos ainda mais inseguros.

Fatalmente qualquer pai/mãe poderá ferir um dos itens que equilibram as emoções de uma criança. Torna-se um problema quando as atitudes tornam-se um padrão, podendo gerar consequências ruins na vida desta criança que terá, mais tarde, que colher os frutos destas experiências. Como adulto, enfrentará as relações, o trabalho, seus próprios filhos, porém com a bagagem emocional cheia de sequelas.

Este adulto pode reequilibrar as emoções estando disposto a viver um processo terapêutico, onde pontuará os sofrimentos vividos, perceberá o estrago causado, viverá os ódios necessários e se reorganizará. No entanto, penso que a maior perda em tudo isso, é na distância emocional experimentada entre pai/mãe e filho. Para isto não existe reparo.
Independente se o filho se deu bem na vida porque obteve suporte emocional através de outras figuras importantes na educação, ou se foi em busca de outras soluções emocionais para o vazio experimentado, o que não foi construído nesse tempo, talvez não o seja mais.
Penso que isto deve ser desastroso no coração de um pai/mãe que vir a perceber isso apenas quando sua criança se tornar um adulto.

Que esta seja uma suficiente razão para que pais e mães possam rever suas relações com os filhos.

O mais assustador, é que a maioria dos pais não percebem que estão errando. Criam razões convincentes para se enganarem de que estão fazendo a coisa certa, ou simplesmente nem pensam nisso. Agem simplesmente como aprenderam.
Por isso MATERNIZAR / PATERNIZAR é essencial. Instigue-se mesmo. Queria se descobrir, se entender e se curar. Você aprendeu, por algum motivo, a ser assim, então se quiser, pode aprender a ser diferente.

Vale uma dica: Quando pensar em validar e houver um incômodo emocional que o impede de fazê-lo… É aí que está aquilo que precisa conhecer e trabalhar acerca de si mesmo.

Vale a pena o esforço para estreitar o vínculo que vocês construirão. Vale a pena para fazer do seu filho um ser humano saudável e feliz. E mais que isso, vale a pena porque você será muito mais feliz.

Um simples olhar, um sorriso, um singelo elogio são suficientes para você validar.
A Validação permite que as pessoas sejam aceitas pelo que realmente são e graças à isto, elas começarão a acreditar em si mesmas e crescerão para serem felizes e muitas vezes serão aquilo que esperamos delas.

Por isso elogie, agradeça, respeite, acalente, dê carinho, esteja presente, AME.     VALIDE!!!

Isso faz bem aos outros e faz Muito Bem à Você.

Alessandra Sassá

2 thoughts on “Não Invalide

  1. Um “artigo” muito importante sobre a formação intelectual de um ser humano.
    Parabéns! Antes todos tivessem a mesma visão sobre o caso!
    Deus te abençoe! TE AMO!

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