Meu Parto Humanizado

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Não poderia ficar guardado só para mim tudo isso…

Após 2 anos e 10 meses de um parto, que resultou em cesárea por falta de planejamento ao qual entrei no ciclo medo-tensão-dor, resolvi então PLANEJAR o meu parto.

Há dias já dizia: Thiago, eu não posso morrer sem passar por isso. Eu preciso dessa experiência.

Naquela manhã, eu estava muito mais indisposta que nos outros dias. O quadril doía ainda mais, quase não conseguia me mexer. Senti uma dor que me lembrou à uma contração.
Ao acordar, deitei um pouco com a Aninha.  Queria curtir minha bebê mais velha, afinal eu não sabia que tempo eu teria para ela depois do nascimento da irmã.

Quando Thiago acordou, partilhei com ele de toda a indisposição e o avisei que talvez estivesse chegando a hora, pois eu estava sentindo mais dores que o habitual.

Eu sentia que era o dia, então mesmo com todas as dores nas costas, fui ao supermercado fazer o estoque da dispensa, resolvi algumas coisas urgentes que ainda estavam pendentes. Almocei fora e curti cada minuto. Chegando em casa, parei o carro na garagem, liguei uma música, e dormi ali no banco por cerca de 1hs. Foi um descanso revigorante.

Em casa liguei alto o som, do jeito que amo, com músicas que diziam tudo aquilo que queria dizer à minha bebê e passei cerca de 3 horas ali. Chorando, cantando, acariciando a barriga, amando… amando e amando. Ela estava chegando. Meu coração dizia que era o dia. Eu tinha ainda muita coisa a dizer à ela, talvez nem eu ainda me desse conta do quanto a amava.

No decorrer do dia tive algumas leves contrações em intervalos distantes e irregulares.

No horário habitual, papai e Aninha foram dormir e foi então que minha Linda e Inesquecível jornada começou.

Apaguei as luzes da casa toda deixando apenas uma leve penumbra. Liguei músicas de relaxamento que já haviam sido separadas para o parto. E naquele suave ambiente, fui lavar a louça do jantar, lavar roupas e preparar o Ninho para a chegada do meu filhote.
Talvez um gatilho emocional, do ambiente quieto, escuro e isolado, onde eu me sentia pertencente apenas à ela e ela à mim, fez com que o trabalho de parto ficasse mais ativo, pois à partir daí, as contrações começaram a vir mais frequentes e mais doloridas.

Meu Deus, eu curtia cada uma delas. Me fazia forte, me dava prazer de participar daquele momento.

Às 23hs avisei a Doula Débora Regina Magalhães Diniz, que minhas contrações estavam com intervalo de 10 em 10 minutos, medidas num aplicativo no celular, porém a dor ainda era suportável.

Entrei no chuveiro e fiquei lá por um longo período.
Com o banheiro escuro, ao som das músicas, sentei num banquinho e cantei para ela. Disse para Deus, que embora eu tivesse algumas dúvidas acerca da sua existência, eu precisava agradecê-lo por aquela experiência. Eu estava MUITO Feliz. Eu precisava dizer à ele que era maravilhoso a forma como tudo estava dando tão certo e eu estava experimentando aquele momento tão profundo comigo mesma e com minha Bebê que se preparava para vir ao mundo.

Um momento transcendental. Eu precisava agradecê-lo porque aquilo tudo era Divino.

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Minhas contrações alcançaram um intervalo de 3 em 3 minutos e foi às 3hs da manhã, que mandei uma mensagem à doula: Débora, estou ficando com medo das dores. E ela, carinhosamente me avisou que estava se aprontando e vindo para casa.

Acordei o Thiago para avisá-lo que a Doula estava à caminho. Ele assustado percebeu que a Helena estava mesmo vindo. Era o Dia.

Não houve como impedir que a Aninha acordasse e ela foi Linda, quis cuidar de mim, falava baixinho, estava calma. Sem precisar explicar nada, acho que ela entendeu, que era um dia especial.

Com as massagens e palavras suaves da Doula, me lembro de conseguir dormir um longo período no sofá, sentada, em meio as contrações. A presença dela, A Mulher Que Serve, mesmo sendo a segunda vez que a via, me trazia segurança.

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Às 06hs chegou a obstetriz Thais Peloggia Cursino que faria as medições e nos garantiria que o bebê estava bem. Não me lembro mais como estavam as contrações, pois eu já estava em outra Vibe (Rssss) e nem me lembraria de controlar isso. Estava já usando minha energia para respirar, respirar e respirar.

Entrei no chuveiro novamente por mais algumas horas. As massagens da Doula já estavam sendo necessidade de sobrevivência.
Thiago não podia sair de perto.  Eu o queria o tempo todo do meu lado. Eu não estava muito consciente e pouco abria os olhos, mas eu precisava ouvir sua voz e saber que estava ali do lado. Ainda mais que o habitual, sua presença virou uma necessidade.

Quando saí do longo e delicioso banho, que aliviava Muito a dor, fomos medir a dilatação e deitada na minha cama sobre sacos de lixo para não sujá-la, me recordo da ansiedade que me deu ao ouvir que minha dilatação marcava apenas 5cm. Acho que isso era em torno das 10hs da manhã. Meu Deus… só 5?

Neste momento me recordo de pedir à Doula que me lembrasse dos motivos às quais eu havia decidido passar por tudo aquilo.
Além de tantas palavras de motivação, palavras sábias, recebi também muito carinho nos cabelos, recebi música e muito afeto. Quero abrir um parênteses para falar da presença da doula. Resumo em 1 palavra: ESSENCIAL. Não tenho dúvidas de que apenas minha determinação e grande desejo de viver aquele momento, não seriam suficientes para que eu tivesse sucesso. Ela cuidou, reorganizou, redirecionou, deu afeto e afago. Foi minha anestesista, minha mãe, minha Super-Herói.

Foi então que decidi ir para o hospital. Comecei a temer pela intensidade da dor e o fato de estar no ambiente hospitalar me traria mais tranquilidade, afinal, era a primeira vez que eu sentia tudo aquilo.

O trajeto para o Hospital foi feito de joelhos, de 4, segurando no encosto do banco traseiro, onde eu tive o momento de maior concentração. O que me rendeu mais 3cm de dilatação. Que alegria ouvir da Obstetra (maravilhosa) Rosana Fontes que eu já atingira 8cm.

No hospital então recebi uma analgesia que durou apenas 1hs. Isto foi possível graças à equipe e hospital que optei.
Com este alívio temporário da dor, foi possível comer, dar risada e fazer bastante exercício na bola.

Passada a anestesia, fizemos nova medição e foi a grande surpresa. Dilatação TOTAL. Que delícia ouvir aquilo. Eu já sentia tudo novamente e iniciamos então a fase de expulsão.

Fiquei de 4 na cama, apoiada à uma barra. À cada contração, doula e GO empurravam minha bacia para ajudar no processo.

E quando começou a dar vontade de fazer forças, rapidamente me aprontei para a posição que sonhei em ter Helena. De Cócoras. Thiago sentou na poltrona nas minhas costas e me deu as mãos. Me apoiou e me sustentou!

Médico, doula e Enfermeira ficaram ali na minha frente, esperando a Helena aparecer.

À cada contração, recebia o estímulo para fazer forças e com muita concentração, fazia aquilo que meu corpo nasceu para fazer.

À medida que o bebê ia saindo, senti como se meu corpo fizesse força mesmo sem minha ajuda. Era um impulso natural. Meu corpo era puxado para baixo.

Essa sensação da expulsão é Maravilhosa e Inexplicável. Sem sombra de dúvidas é o momento que vale todo o processo de dor até chegar ali. É Intenso, é Prazeroso, é abençoado, é Natural… o corpo sabe o que fazer. É uma sensação de que o bebê ia sair mesmo se eu não fizesse força.

E assim fomos trabalhando juntos. Eu, Helena e Papai… unidos para fazer com que a chegada de Helena fosse a mais maravilhosa que pudéssemos ofertar à ela.

Meu Deus…. Foi SENSACIONAL.

Até que enfim ouvi: Alê… coloca a mão para você sentir sua filha. E em poucos minutos ela estava nos meus braços.  Ali, de verdade. Eu consegui. Nós conseguimos bebê. Que sensacional. O choro dela foi como música para os meus ouvidos. Ainda ligada à mim pelo cordão umbilical, sentia seu esforço para respirar. Um esforço natural.

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Ai ai (respiração profunda)…. E que jornada Fantástica. Me refez!!! A dor, simplesmente acabou.

Hoje, me olho no espelho, com carinho, e sinto uma eterna gratidão por ter conseguido usar meu corpo de forma tão sagrada e perfeitamente intensa. É como se tivesse redefinido o sentido dele. Eu passei a amar cada centímetro desse instrumento que usei com tanta entrega. É um sentimento de respeito, é interessante.
Percebo que apesar de ser a segunda gestação, meu corpo já está voltando ao normal mais rapidamente, só que desta vez isto não importa tanto, pois “Gostar daquilo que vejo no espelho”, agora não se resume mais à questão estética. Eu vejo um ser poderoso.

O parto Humanizado é muito mais que um acontecimento emocionante. Ele é ARREBATADOR. E estou aqui me referindo apenas aos aspectos emocionais, sem precisar fazer menção aos fatores físicos acerca da saúde da mãe, do bebê, da Ocitocina, etc, que também fazem dele uma ótima escolha.

Participar da chegada do ser que você mais vai amar em toda a vida é, no mínimo, uma sensação de dever cumprido.

Tive a equipe perfeita: Mamãe, Helena, Papai, Aninha (que me deixou tranquila em casa e quis cuidar de mim), minha Sogra que carinhosamente cuidou da irmã mais velha para que eu estivesse tranquila, Minha Linda cunhada Carol que quis estar presente em todo o processo me fazendo sentir especial, à Obstetra Expetacular Rosana Fontes, à Obstetriz Thais Peloggia que além dos cuidados fez com que tivéssemos fotos do momento (salvou minha vida rsss) e à minha linda doula Débora Regina Magalhães Diniz à qual me lembrarei eternamente.

Esta experiência me refez. Me transformou. ALGUÉM SAIU DE MIM ALÉM DA MINHA FILHA.

Eu simplesmente Sabia que seria Sensacional… e foi!

One thought on “Meu Parto Humanizado

  1. Simplesmente FANTÁSTICO! Estou imensamente orgulhosa por ter conhecido você. Agora sei de onde vem essa força… essa garra… essa energia…
    Parabéns Alê.

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